O setor industrial brasileiro é muito forte. Mas, um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o ano de 2018 não foi muito animador, principalmente quanto aos investimentos.

Segundo o estudo, cerca de 75% das grandes indústrias fizeram investimentos. Porém, esse número é menor do que os 81% das empresas que tiveram a pretensão de investir.

Entre as empresas que realizaram investimentos, o estudo da CNI indica que metade (51%) não conseguiu realizar os projetos como planejado, mostrando que, mesmo com a leve recuperação econômica, as dificuldades frustraram os planos de investimentos das grandes indústrias.

Vários fatores que explicam essa frustração no volume de investimentos do setor, desde a decepção com a retomada da economia, até as incertezas internas e externas. Veja então porque esses fatos influenciaram negativamente o investimento do setor industrial e quais são as expectativas para o futuro.

O que diz o estudo da CNI sobre os investimentos na indústria?

O estudo sobre os investimentos no setor industrial é anualmente apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e está disponível no Portal da Indústria.

Quando comparado com outros anos, o ano de 2018 apresentou resultados menos expressivos, como indica o histórico de empresas que investiram ano após ano.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

O estudo da CNI indica que especialmente para o ano de 2018, o número de empresas que fizeram algum tipo de investimento em 2018 chegou a 75%. Este número representa seis pontos percentuais abaixo dos 81% das empresas que planejavam investir. Esse resultado só é maior que os anos de 2015 e 2016, ápice da crise econômica.

Além disso, entre as empresas que investiram, metade delas (51%) não realizou os projetos previamente planejados. Dessas empresas, 38% realizam os investimentos de forma apenas parcial. E 9% delas foram ainda mais conservadoras e adiaram seus projetos para 2019. Já 4% definitivamente cancelaram ou adiaram seus investimentos para somente depois de 2019.

Destino dos investimentos em 2018: A inovação esteve em pauta

Ainda segundo o estudo apresentado pela CNI, a grande maioria (56%) das indústrias que investiram em 2018 destinaram seus recursos para a continuação de projetos anteriores. Já 44% aplicaram em novos projetos.

Além desses dados, o estudo da CNI — apresentado no Portal da Indústria — apresenta ainda outras conclusões bastante interessantes. Segundo o estudo, o principal objetivo dos investimentos em 2018 foi a inovação, onde 53% das empresas investiram na melhoria ou na modernização de seus processos produtivos e na criação de novos produtos.

Dessas, 36% investiram na melhoria dos processos produtivos, 13% buscaram a introdução de novos produtos e 4% aplicaram em novos processos de produção.

A CNI indica também que a participação privada no investimento industrial cresceu, ao mesmo tempo que o aporte de bancos públicos diminuiu. A participação dos bancos privados no aporte financeiros das indústrias de grande porte aumentou de 8% para 13% em 2018. No mesmo período, a fatia dos bancos públicos de desenvolvimento recuou de 10% para 7%.

Por que grandes indústrias tiveram baixo desempenho nos investimentos?

Observa-se que o ano de 2018 foi frustrante do ponto de vista dos investimentos em grandes indústrias. Para a CNI, essa frustração se deve a variados fatores, tendo como principal fator a decepção com a retomada da economia.

Em 2018, o crescimento da demanda por produtos ficou abaixo do esperado, tendo como motivo central o elevado desemprego que ainda assola o país. Além dessa questão, o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, afirma que as incertezas no mercado interno e externo contaminaram boa parte do ano de 2018, elevando os riscos do investimento.

O economista da CNI explica também que é preciso considerar que a maior parte dos investimentos em grandes indústrias é financiada com capital próprio. “Como elas estão com situação financeira mais debilitada do que em anos anteriores, o investimento naturalmente ficou prejudicado”, acrescenta Castelo Branco.

O economista da CNI destaca ainda que a recuperação do investimento é parte central da retomada do crescimento sustentado das indústrias brasileiras:

O investimento em uma nova fábrica, ou nova linha de produção, gera muito mais emprego do que a reativação de uma máquina parada. A geração mais robusta de empregos será capaz de aumentar a renda e o consumo. Isso estimula novos investimentos e realimenta o ciclo virtuoso do crescimento”, afirma Castelo Branco.

O que as grandes indústrias podem esperar para 2019?

Ainda não há resultados sobre o volume de investimentos realizados por grandes indústrias no Brasil para o ano de 2019, mas tudo indica que as expectativas são bastante positivas, com o setor podendo esperar boas notícias.

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Segundo a pesquisa da CNI, oito em cada dez indústrias de grande porte tinham o planejamento de investir em 2019, número semelhante aos 81% registrados 2018, mas muito acima dos 67% de 2017 e dos 64% de 2016.

Os empresários do setor dizem que a expectativa de crescimento do consumo, aliadas aos avanços tecnológicos são importantes estimulantes para a intenção de realizar investimentos em 2019.

Entre as indústrias que pretendem investir, 57% afirmaram que a perspectiva de aumento da demanda vem motivando o andamento de projetos. Fatores técnicos, tais como a tecnologia, mão de obra e matéria-prima disponíveis, foram estímulos para 41% das empresas que pretendem investir, especialmente para conquistar o mercado interno.

Por outro lado, a pesquisa da CNI mostra ainda que a regulação e a burocracia em excesso, além da falta de recursos financeiros são fatores que ainda interferem nas decisões de investimentos para este ano.

Dessa forma, tais perspectivas mostram que, mesmo diante dos problemas do Brasil, há grande otimismo para os investimentos de grandes industrias no Brasil, indicando avanço na recuperação econômica do setor industrial brasileiro.

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